Rádio Tabajara peca na programação de sábado e levanta debate sobre valorização de conteúdo

A Rádio Tabajara, uma das mais tradicionais do estado, fundada em 25 de janeiro de 1937, carrega o mérito de ser pioneira na radiodifusão paraibana. Integrante da Empresa Paraibana de Comunicação, gerida pelo Governo do Estado, a emissora tem como missão valorizar a cultura local, a música popular brasileira, o jornalismo e o esporte. No entanto, uma análise recente de sua programação levanta questionamentos sobre o aproveitamento desse potencial, especialmente aos sábados.
A discussão ganhou força a partir de conversas entre ouvintes da emissora, que passaram a questionar a organização da grade em um dos períodos de maior audiência. A partir dessa percepção, o jornalista José Gutierrez acompanhou a programação e identificou pontos que merecem reflexão.
Um dos destaques é o programa Alô Comunidade, exibido das 11h às 11h30, no ar há mais de 15 anos. A atração se consolidou ao abordar pautas relevantes para as comunidades, como reivindicações por melhorias, valorização da cultura de raiz, muitas vezes ignorada pela grande mídia, e a defesa da democratização da comunicação por meio das rádios comunitárias.
Antes dele, vai ao ar o programa Refletindo a Vida, das 10h30 às 11h, de cunho religioso, ocupando um horário estratégico dentro da grade. A avaliação aponta que esse tipo de conteúdo poderia alcançar maior audiência em faixas tradicionalmente ligadas ao público religioso, como o início da manhã.
Nesse contexto, surge a proposta de reorganização da grade, construída a partir da escuta de ouvintes dos programas Alô Comunidade e Histórias e Estórias da Paraíba, somada à avaliação do repórter. Uma das sugestões é reposicionar o programa Histórias e Estórias da Paraíba, atualmente exibido das 12h às 13h, para um horário anterior ao Alô Comunidade, criando uma sequência mais equilibrada de conteúdos.
Apresentado por Rúbens Nóbrega, Ramalho Leite e Sérgio Botelho, o programa Histórias e Estórias da Paraíba resgata a memória, a cultura e os fatos marcantes do estado por meio de conversas entre especialistas e convidados. A atração aborda desde passagens clássicas da literatura paraibana, como as frases de José Américo de Almeida, até memórias do cotidiano das cidades do interior, como Santa Rita e Bananeiras.
A mudança permitiria iniciar com o resgate histórico e cultural, seguido pela abordagem direta das demandas comunitárias, fortalecendo o caráter público e educativo da emissora.
A combinação desses conteúdos traria benefícios tanto para a emissora quanto para o público. A Rádio Tabajara fortaleceria sua identidade como veículo de valorização cultural e informação qualificada, enquanto os ouvintes teriam acesso a uma programação mais coerente e conectada com a realidade local.
Além disso, a realocação do programa Refletindo a Vida para um horário de maior afinidade com seu público poderia ampliar sua audiência, conforme indicam pesquisas no segmento religioso.
A reflexão proposta não parte de interesses isolados, mas de uma escuta atenta do público que acompanha a emissora. Em um cenário dominado pela mídia de massa, valorizar conteúdos que informam, educam e representam as comunidades é essencial para manter a relevância de um veículo público com a história e a importância da Rádio Tabajara.
José Gutierrez / No Combate
