Comissão de Anistia concede perdão e indenização ao ex-jogador Reinaldo Lima por perseguição na ditadura

Por unanimidade, a Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania aprovou, nesta terça-feira (2), o perdão e a indenização ao ex-atacante Reinaldo Lima, ídolo do Atlético Mineiro, reconhecendo oficialmente a perseguição política que ele sofreu durante o regime militar (1964–1985).

Reinaldo, um dos maiores nomes da história do futebol brasileiro, ficou marcado não apenas pelos gols, mas também por sua postura firme contra o autoritarismo. Suas comemorações com o punho cerrado, gesto inspirado no movimento Panteras Negras, tornaram-se símbolo de resistência, conectando o esporte à luta por direitos civis, especialmente na defesa da população negra nos Estados Unidos e no Brasil.

“Queriam calar minha voz e diminuir a minha força”, afirmou o ex-jogador, lembrando o período em que foi vigiado, pressionado e assediado por suas manifestações antirracistas e pelo posicionamento contrário à ditadura.

Jogador Reinaldo do Atlético Mineiro celebrando com o punho direito erguido em campo. (Foto: Divulgação/Atlético Mineiro)

A decisão da Comissão inclui o pagamento de uma indenização de R$ 100 mil, em parcela única, por parte do Estado brasileiro. Quatro décadas após o fim do regime militar, o gesto representa não apenas uma reparação histórica, mas também o reconhecimento oficial da coragem de Reinaldo e do impacto político e social de sua trajetória dentro e fora dos gramados.

Com a anistia, Reinaldo Lima ingressa no grupo de brasileiros que tiveram seus direitos restituídos após terem sido perseguidos por defender posições contrárias ao autoritarismo e em favor da democracia.

Por José Gutierre

 

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